🔺A política por trás do preço da gasolina 🔺
Em 2016, durante o governo de Temer, foi criada uma nova regra para a Petrobras definir o preço dos combustíveis no país. Por essa regra, as condições internas são ignoradas e se passa a definir o preço nacional com base nos preços no mercado internacional de combustíveis – é o chamado PPI (Preços de Paridade de Importação). Com isso, em 2021, a alta internacional do petróleo permitiu à Petrobras realizar lucros enormes, acompanhando um aumento de preços da gasolina em quase 50% !




Em meio aos enormes transtornos que isso causou, 64% desses lucros recordes da Petrobras foram para seus acionistas privados, a maioria investidores estrangeiros, que adoraram e defenderam (e ainda defendem) o PPI na mídia e em diversos meios.
É nesse contexto que, no início de 2022 e com a eleição pela frente, Bolsonaro resolveu reduzir o preço da gasolina para ganhar votos – mas sem mexer no PPI e nos lucros dos acionistas da Petrobras.
Bolsonaro optou por uma saída que não se chocasse com os interesses dos acionistas, mas que ao mesmo tempo fosse capaz, ao menos provisoriamente, de solucionar o problema dos preços dos combustíveis. Isso porque, além dos lucros da Petrobras, outra parte do preço da gasolina é composta por impostos para o governo federal e os governos estaduais. Ele criou então uma redução temporária dos impostos, em meio a um discurso de que seriam os impostos os maiores vilões e responsáveis pelo encarecimento dos produtos (e não o PPI e seus lucros recordes).
Essas medidas tomadas tinham data de validade e se encerraram no final do ano de 2022, Bolsonaro postergou uma decisão mais estrutural sobre os preços dos combustíveis no país, deixando o PPI inalterado, e deixando para o próximo governo uma queda na arrecadação e a tomada de decisão de continuidade ou não de tal política.
🔺 O desmonte da Petrobras 🔺
A Petrobras está enfrentando um crescente processo de desmonte.
Em nossa última postagem falamos sobre o PPI (Preços de Paridade de Importação), que é a forma com que a Petrobras define os preços dos combustíveis no país desde 2016. Antes a empresa os definia de maneira autônoma, mas com o PPI o preço segue a decisão do mercado internacional.








O PPI foi defendido para afastar a empresa de “interferências políticas” e atuar como uma empresa privada, mas ele deixa o preço da gasolina seguir os fortíssimos aumentos internacionais, sem pensar nas consequências para a inflação e para a população brasileira.
O PPI resultou em recordes históricos de lucro que poderiam levar a Petrobras a investir mais na sua produção. Não só isso não foi feito, como a Petrobras iniciou o Programa de Desinvestimento.
Esse Programa de Desinvestimento tem a meta de reduzir pela metade a atuação da Petrobras no refino de petróleo (que é a transformação do petróleo em gasolina, diesel, etc), deixando as refinarias subutilizadas. Isso aumenta o lucro da empresa no curto prazo, já que é uma atividade custosa, mas abandona o desenvolvimento de pesquisas e tecnologias nacionais acabando com o planejamento de longo prazo.
O Brasil é um grande extrator de petróleo cru, mas como não tem indústria suficiente para processá-lo tem que importar combustíveis, plásticos e outros produtos industriais do petróleo. Por isso, o refino é central para a autonomia energética do Brasil, já que ele estrutura toda a cadeia produtiva do petróleo.
Com isso, o Brasil fica cada vez mais dependente das petroleiras estrangeiras e mais vulnerável às flutuações do mercado internacional, desmontando a cadeia produtiva brasileira e os empregos relacionados, além da inflação.
Esses impactos do desmonte da Petrobras vão só piorar ao longo dos anos.
🔺 Por que precisamos defender a Petrobras? 🔺
Nos últimos 2 posts criticamos o desmonte que foi feito com a Petrobras, a partir do governo Temer, e que fez o preço dos combustíveis no Brasil terem uma alta de quase 50% em 2021.



Qual o impacto total disso na economia?
A Petrobras administra os preços dos combustíveis no Brasil, que são majoritariamente derivados da extração do petróleo – gasolina, diesel e gás natural. Os combustíveis são importantes não só para as pessoas se locomoverem, mas também para o FRETE de todos os produtos e insumos da economia, realizado por caminhões, trens, navios ou aviões.
A maioria dos produtos que compramos envolve cadeias produtivas com várias etapas – e cada etapa é feita por um produtor diferente, envolvendo um frete entre elas. Isso significa muitos fretes até o produto ficar pronto e chegar no mercado. Por conta disso, os combustíveis são um PRODUTO BÁSICO que têm fortes impactos nas fundações da economia, e precisam da Petrobras planejando e protegendo das incertezas. (Outros produtos básicos são a eletricidade e os alimentos, que veremos em outra postagem).
Com a Petrobras enfraquecida, ficamos à mercê do mercado internacional e das petroleiras estrangeiras, que fazem o preço aumentar muito para terem grandes lucros às custas do Brasil. O encarecimento dos combustíveis, ao encarecer o frete, gera várias rodadas de aumentos de preço dos produtos ao longo dos meses, e muita incerteza sobre os preços. Ou seja, gera INFLAÇÃO.
Uma Petrobras forte, com o governo aumentando seus gastos para investir nela, é chave para estruturar a produção de combustíveis, regular esse mercado e manter seus preços sob controle. O custo para o governo de investir na Petrobras é pequeno, comparado ao impacto total de um aumento dos preços dos combustíveis.
Precisamos defender a Petrobras, que defende a população brasileira e as fundações da nossa economia.
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